sábado, 16 de agosto de 2014

sobretudo, Nada!

Tudo sempre tem um começo. Nada, não.
O Nada se basta. A sinonímia nem sempre tem avesso.
Tudo pode sempre ir além. E mais. Tudo sempre pode.
Nada, não. O Nada é a personificação da impotência.

Sobretudo, não se pode ter tudo. Nada, sim.
O Nada é a perimetral de Tudo.
O acesso é livre e ilimitado.

Sobretudo, para o Tudo é preciso voz.
Para o Nada, vez. Para ambos, basta perder (-se):
Ou a vez, ou a voz.
Quem Tudo tem, transforma em voz.
Quem Nada fala, perde a vez.

Nada está sempre no meio: nem mais nem menos.
O mesmo tênue e cruel talvez...

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Ao lado do querer

No passatempo do sentir,
na esteira do deixar-se levar,
bebemos da mesma fonte:
a do sabor!

Afogados.
Inundados.
Cheios...

Qualquer canto virou lar.
Todo encanto veio em par.
Dá pra ver que não basta sentir:
é preciso querer!

Não se trata de frio,
muito menos de calor.
O querer que verso aqui vem,
por fim, a ti propor:

tens fôlego pra mergulhar
em mais 4 semanas de amor?

domingo, 10 de novembro de 2013

pós-2.5, das visões de si (como 'eu-fluido')

Não se nasce puta. Nem se vira puta aos 25. Na verdade, nunca se é puta pela própria boca – é o desejo, a inveja ou a impotência do outro que nos torna referência discursiva: o “assim-puta”. Assim-puta demanda domínios mais amplos, que ultrapassem o discurso e superem o mero fazer: fazer-se puta é coisa da boca alheia e, em alguns casos, nos melhores casos, da pele também. Um verdadeiro assim-puta prefere gozar do tempo, dos corpos e das coisas a ter somente a fama. Nunca é uma dama nem boa de nome: assim-puta é meio copo de sede, prato cheio de fome...

quarta-feira, 30 de outubro de 2013



poema para-correio

poesia é invasão: nunca encomenda.

debaixo da porta, poema.
sem tato, sem fé e muito menos papo, mas
sob o pilar do mesmo teto, o casal.

poesia é invenção: nunca aviso.

tudo parou:

brisa
raio
choque
queda
lama

ele (res)guardou o olhar
e deixou nas mãos da dama
o que na vida
é sempre enigma:
deixar para-lelo ou mudar para-digma?

de fato, pelo embrulho dos desafetos,
feito miragem, distantes,
entre a beleza e a estupidez do deserto,
recebem a notícia-resposta:

- poesia é o sentir nunca sentido!