quinta-feira, 8 de setembro de 2011


Se cu descobre...

É duro, avermelhado e um condutor nato.
tem cu que sofre na boca alheia.
tem cu que sofre sem sentir dor.
tem cu que fica sempre isolado
e cu que sofre de amor.

abre a boca e fecha o nariz.
tem cu que sabe se defender.

Prazer, porra!

Não inventa e não sofre:
agüenta, geme e goza.
prazer  porra.
A pausa está no banheiro.


sexta-feira, 19 de agosto de 2011


Amorgasmo

(e aqui não se admite a confusão sentimento x sensação!)

Existe amor com orgasmo?

Pelo corpo, o gozo.
Pela face, a lágrima.

Existe amor sem orgasmo?

Era fome de suor.
Era sede de pele.

Espasmo...

(e aqui não se admite o prazer que não seja líquido!)

segunda-feira, 8 de agosto de 2011





Leitor ideal


[À janela...]

Meu leitor ideal é homem.
E tem nome.
É alto, cabeça achatada, óculos e tem um olfato invejável.
Meu leitor ideal gosta de cheiro de gente. De cheiros e de gentes.

Meu leitor ideal é homem.
E tem sobrenome.
É forte, lisos cabelos, mãos e pés admiráveis.
Meu leitor ideal gosta da pele de gente. De peles e de gentes.

Meu leitor ideal é homem.
E não é mais (só) meu.
É poético, louco, amante e atravessou a rua com o coração nas mãos...

Meu leitor ideal é.
Ideal (só) no nome.
E, entre tantos leitores e tantas gentes,
acenou-me, com as mãos vazias, pela última vez.

segunda-feira, 25 de julho de 2011


]cama[

[Em cima...

No sonho, o real tem cor.
Fora dele, a infância é lembrança.
Com ou sem rima.

A amizade é a sombra.
Fora dele, é memória.
Com ou sem choro.

Na vida, sonhar é sempre sinônimo.
Fora dela, somos todos anônimos.
Com ou sem grifo.

O sentimento antecede a ação.
Sem ele, pode-se andar na contramão.
Com ou sem dor.

...Debaixo]

É real?
É sombrio?
É eterno?
É amor ou é rima?
É sina.

[Porque se não é, está.]




Amor, Zinho?!


Creio que devo-te, amor.
Creio que devo-te carinho.
E agora: nós-dois ou só, Zinho?!

segunda-feira, 30 de maio de 2011


Incômodo

(Em cima do mármore, pairam uma maçã, uma banana e uma laranja...)

[Cru]
São vidas inteiras espalhadas.
Pra cada uma um vento, um sopro...
Da (imunda) boca humana geram-se duas relíquias: o amor e a paixão.
Para o primeiro, ah, jorram-se os lábios...e se (con-) (re-) (dis -) torcem também.
E depois vem mais e mais!
Ai, os apaixonados! A paixão é um cuspe mais fluido. Aos que amam, a solidez. E um fuck you também!
[Apaixonado]
A nós, apaixonados, o prazer do incômodo, da angústia, do sofrer, o prazer líquido! [...]
[Amado]
Vidas organizadas não sentem  um trisco sequer de vento no cangote, nem ao pé do ouvido, nem à frente de seus olhos, bem pertinho das sobrancelhas, aquele sopro leve, suave, que faz cócegas nos cílios... e na alma também.
Na verdade, vidas organizadas são ventanias mascaradas, são tornados emudecidos.
Gosto mais dos que preferem o risco. Arrisquei-me a preferir isso.
Sem medo, a dor só vem depois. Do contrário, é melhor amar mesmo. E ser um eterno romântico.
Feliz, medroso e romântico.
[Amante]
Ame antes, pra chorar (ou jorrar!) depois.
Assim fica mais fácil meter-se no meio do tornado e encontrar, em meio a tantas coisas boas, o melhor dos incômodos...
A maçã ou a banana?
Ai, a dúvida!