terça-feira, 12 de junho de 2012
As tão-manas
A pele tem o bom tom
O mesmo.
De sangue herdaram apenas a cor
A cor única.
O sorriso lhes cabe em ponto
A mesma métrica.
Cabelos lisos, palidez correta, curvos sorrisos e olhos de boneca
Uma porcelana, a outra de ferro
Uma entorta, enferruja. A outra que-
bra.
Cabelo liso. E um falso sorriso.
Palidez correta? Rugas na testa.
Risadas curvas. Mania (ou ingenuidade!) de gente burra .
Olhos de boneca. Solitárias de beca.
Tão ideais, tão belas, e tão humanas!
Tão disformes. Tão similares. Tão manas.
Tão manas!
(homenagem a duas bonecas que humanizaram-se)
domingo, 22 de abril de 2012
aos 90 anos da Semana de 22:
Merda, 22!
[cloaca contraída]
A arte é o ovo.
O ovo sem a casca.
A casca é o homem.
O homem-casca nunca é ovo.
No máximo, clara-gema.
A arte é o ovo.
O ovo com clara e gema.
A casca é o homem.
O homem-ovo não tem casca.
No mínimo, crista e pena.
[cloaca dilatada]
(Con-) fusão de odores no ar...
Ovo?
Papel, por favor!
sábado, 15 de outubro de 2011
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Leitor ideal
[À janela...]
Meu leitor ideal é homem.
E tem nome.
É alto, cabeça achatada, óculos e tem um olfato invejável.
Meu leitor ideal gosta de cheiro de gente. De cheiros e de gentes.
E tem sobrenome.
É forte, lisos cabelos, mãos e pés admiráveis.
Meu leitor ideal gosta da pele de gente. De peles e de gentes.
Meu leitor ideal é homem.
E não é mais (só) meu.
É poético, louco, amante e atravessou a rua com o coração nas mãos...
Meu leitor ideal é.
Ideal (só) no nome.
E, entre tantos leitores e tantas gentes,
acenou-me, com as mãos vazias, pela última vez.
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