sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Maria Joana

o destino de Maria Joana é baseado em fatos reais:
amante de lábios que não têm cor
nem nome, nem gosto.

há uma vontade secular de beatificar tudo que atenda por Maria.
por isso, Joana.
há uma inquisição pós-moderna. E há.
para isso, Joana.

mas há também nesse século lares com culhões maternos.
não em forma. Em espírito. Neles, um ser para um paradoxo.
Maria Joana só é puta com hífen.
e santa também.
santa? Só de efeito. Jamais de causa.
puta? no melhor dos sentidos!

Maria Joana não tem sentidos: é confusa, difusa, profusa. E uso.
uma sinestesia autobiográfica.
Maria Joana é bicho maldito.
mata, chama, fecha, solta, separa, puxa e se esconde.
bendito seja o vosso nome: tem pai, filho e espírito santo nas bases de seu sacro-perfil.

tem o dom perverso da relação: une e separa.
tem a sina da reclusão: é fechada.
sempre tem fome: de pão e vinho.
renega o próprio nome: profano e divino.

de súbito, questionou sua existência,
provou da própria essência
e morreu de latência.
é pó e fascínio.

3 comentários:

  1. incrivelmente bom!!! que coisa é essa tão diferente mas tão ligada... os dois lados parecem (são?)interdependentes.
    sentia o que durante a escrita? caralho!! vai pra porra! de novo, "Maria-Joana"... =O
    ;)

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  2. senti as duas: a maria e a joana. na mesma respiração...
    ;)
    que bom que tu gostou

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  3. senti as duas: a maria e a joana. na mesma respiração...
    ;)
    que bom que tu gostou

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